Era uma menina órfã e aparentemente “selvagem” que foi para Roma morar com seu tio que a educou, mesmo que ao coletivo o roubar dominava seu rosto e fosse, com a prática, uma boa jogadora de xadrez, conseguindo até mesmo ganhar do seu tio numa partida. E foi durante uma partida, que o tio, já desconcentrado com a partida, olhava-a pensando e meditando sobre o futuro de sua sobrinha e toda a sedução e “sex appeal” de sua sobrinha, achando injusta a “severa” proibição da igreja sobre incestos. A menina, por ver tudo o que o tio havia lhe feito, achava que não podia lhe negar nada e por isso, acabou cedendo. Quando sentiu-se grávida, aprendeu a ser dissimulada e a escondeu de todo mundo. Quando veio a dor, foi até o celeiro sozinha e acabou dando à luz, e para não mostrar seu crime acabou estrangulando a própria filha e jogando-a num buraco. Na hora sentiu horror, no corpo e na alma, mas com o tempo acabou esquecendo, tanto que, tempo depois, acabou tendo um segundo filho, e sem nenhum constrangimento, deu o mesmo fim que o primeiro filho. Até tentou não fazer mais esse infanticídio mas, fraca fisicamente e, com a certeza de que iria ceder de novo, voltou a ter um terceiro filho que terminou naquele mesmo buraco ignóbil.
Sem esperança de novo horizonte, queria morrer, e chegou a pegar uma corda para inforcar-se, mas chegando ao celeiro e viu uma aranha, e pensou que, se ingerisse uma aranha, iria morrer e sem titubear, a tragou de uma só vez. Com o tempo, o veneno não surtia efeito e sendo assim, tragou cada vez mais aranhas. Chegou a passar mal, e pensou que poderia morrer sem conhecer o verdadeiro amor, o amor de Cristo, mas sobreviveu e, em sinal de arrependimento, pagava penitência secretamente de seu tio, até que esse morresse e a tornasse rica e poderosa, com “status” na sociedade, sem que houvesse nenhum ser vivente que soubesse de seu crime. Nenhum ser vivente!
O mestre de uma manufatura da cidade soube dos crimes dessa mulher e avisou ao imperador que a chamou até o palácio. Com o vazio do coração, pensou em suicidar-se, mas lembrou de Deus e foi até o Papa confissar-se, mas não pagou nenhuma penitência , pois já havia pago.
Noutro dia, foi ao palácio cheio de gente se encontrar frente a frente com o imperador e o mestre, que ao perscrutá-la, afirmou que não era a mesma pessoa, não era o mesmo rosto, e por sua calúnia acabou sendo mandado à fogueira. Mas pode se queimar o diabo?
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
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